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Escorpião Rei…

Hoje me tornei o herói da Rua. O protetor das senhoras desamparadas que sofrem aterrorizadas pelo aparecimento repentino de escorpiões.
Foi difícil atender o chamado, pois de início eu sequer o estava ouvindo. Aqui em casa o som fica sempre muito alto (dentro do horário regulamentado por lei) e hoje não seria diferente. O som alto não me deixou ouvir o pedido de socorro de uma senhora, nossa vizinha, que estava sendo aterrorizada pelo aparecimento de um escorpião em sua casa.
No intervalo de uma música e outra, o som baixo me possibilitou ouvi-la. A julgar que a pobre senhora já se encontrava clamando pelo nome do 11º apóstolo, Simão, então ela já estava chegando ao fim das suas esperanças.
Fui então prontamente atendê-la… Na verdade eu sai do quarto mais abusado que pedreiro em loja de materiais de construção falando “mas que PUTAQUEPARIU é essa?” e botei a cabeça pela janela iniciando o diálogo a seguir:
- Que foi?
- Moço, me ajuda. Tem um escorpião na minha casa, moço. Não… é sério, moço. Me ajuda.
Olhei profundamente em seus olhos pra verificar se aquela não era uma mera artimanha para de algum modo se aproveitar da minha inocência. Mas vi que naqueles olhos havia terror, e falei:
- Estou indo, vou calçar o tênis.
- Obrigado, moço.
Fui lá então, pedi uma vassoura com a autoridade de quem pede uma fuzil e perguntei onde estava o problema. Ela imediatamente me deu a vassoura e me mostrou o bicho.
Há duas coisas que um homem tem que ter bem definido em sua vida… São seus objetivos e seus temores. No momento que vi o escorpião eu defini que meu objetivo era matá-lo e que meu temor era ele. O bicho era medonho.
A pobre senhora, quando o escorpião se moveu, talvez por prever minha patética ação, deu cerca de 7 voltas pelos cômodos da sala ultrapassando os obstáculos que casualmente servem de mobília para uma casa modesta, porém aconchegante. Nesse ato tresloucado de correria e gritos ela começou a exaltar a minha coragem repetindo várias vezes que eu era um rapaz muito corajoso.
Apesar do meu medo, vê-la naquela situação de correria e saltos dizendo que eu era corajoso me deu forças para superar o meu medo e enfrentar a criatura que naquele momento atormentava não só a ela como também a mim.
Sabe aqueles instantes em que tudo parece passar em câmera lenta? Pois então… No momento que eu mirei a vassourada no pobre animal, com a certeza que aquele único golpe seria suficiente para nos salvar, e sabendo que se eu errasse nós estaríamos numa enrascada, pois seria a vez da criatura contra-atacar, eu então comecei esse instante de câmera lenta e pude sentir que estava ouvindo a música Bridge Over Troubled Water na interpretação de Elvis Presley. Essa música diz:
When you’re weary, feeling small. When tears are in your eyes, I will dry them all. I’m on your side. When times get rough and friends just can’t be found. Like a bridge over troubled water, I will lay me down.
Então eu apliquei a vassourada ao mesmo tempo que bradava o verso “Oooooooh like a briiiiidge over troubled water, I wiiiill laaaaaay me dooooown”.
Lá estava ele, completamente irreconhecível. Morto. E a senhora então parou de dar voltas e nossos olhos se encontraram. Foi um momento único. Arrepiante. Não precisávamos de palavras, só os olhares nos bastaram. Estávamos salvos.
Entreguei a vassoura então para ela com a autoridade de quem cumpriu seu dever e parti para minha casa com a cabeça erguida.
Mas agora estou eu aqui em casa, atormentado, e qualquer coceirinha que sinto no pé já saio dando chute, pernada e rasteira em tudo que vejo pela frente achando que é algum escorpião vingador em busca de fazer justiça com as próprias mãos.
Senhores, a guerra não dignifica o homem. A Guerra o destrói.
Grato.
Carnaval 2011 – 2ª Crônica
Estava eu a andar sobre um solo irregular acompanhado de uma multidão…
Foi então que a seqüência de acontecimentos improváveis começaram a ocorrer.
O quão difícil é alguém encontrar algo no chão, durante uma festa de carnaval?
Dentre todas as pessoas que poderiam ter encontrado esta coisa, por que logo eu? Essa possibilidade tem uma probabilidade muito pequena já que as diversas pessoas que lá estavam tinham iguais chances de encontrar isto.
Segundo que eu encontrei pisando sobre, mas a gente pisa sobre muitas coisas e isso não tem a relevância necessária para nos fazer parar e olhar no que pisou. Por que eu parei pra ver no que eu tinha pisado?
Em pleno carnaval, no meio de uma multidão eufórica fui eu o único que encontrou uma Aliança.
Aos profetas de plantão eu peço, se houver, um significado para este acontecimento.
Moral da história:
Se você encontrar uma aliança no carnaval evite beber de mais e tenha cuidado com os ‘SIM’ que você falará no decorrer da noite.
Carnaval 2011 – 1ª Crônica
Na festa uma garota, através de olhares, demonstra o interesse em mim.
Fui formado numa escola onde carnaval e um estado de repouso em relação ao referencial próprio não são permitidos… Logo eu estava me movimentando e o encontro com a garota que demonstrou interesse foi adiado para um momento posterior.
O encontro de fato aconteceu, mas foi levantada uma questão pertinente sobre o motivo que levou a tal garota a trocar de roupa, não fazia sentido.
Este que vos escreve foi então lá falar com a garota, pois é assim na escola que fui formado…
Mas a garota não entendeu nada e ainda por cima alegou que nunca havia me visto, era primeira vez.
Estava eu, bêbado de mais, tendo alucinações?
Não… A resposta segue junto com a moral da história.
Irmãs gêmeas no carnaval, fique atento a esta possibilidade